Tom Hanks é Jairo Jack Bauer, um blogueiro do Blig que tem 24h para escapar da USP Zona Leste, a verdadeira escola do crime.
Para se salvar, Jairo Jack Bauer terá que produzir uma tese de doutorado analisando sacolas biodegradáveis com os conceitos de Foucault. Sua tese deverá ser aprovada pela banca dos Intelectuais Canibais de Peruca e sua facção mais radical, os Intelectuais Canibais de Peruca Black Power. Nosso herói do Blig também enfrentará a gangue venenosa das Garotas Protestantes de Bigode e, se fizer as mulheres entenderem a sua tese, ainda terá muito que argumentar com o mortal Esquadrão Apae de Bombeta e Moletom.
A maior arma de Bauer do Blig será a palavra. Poderá usar diagramas, fantoches e apelar para Hitler e o nazismo uma única vez.
Conseguirá nosso herói sobreviver à USP ZL?
Se sair vivo, Jairo Jack será premiado com um boneco de pelúcia gigante do Zumbi de Palmares e um CD autografado do Manu Chao. Mas não é só. Finalmente Bauer estará livre para captar recursos públicos e realizar o seu desejo de infância: a tão sonhada ONG própria.
Fevereiro 11, 2009
Lost de pobre
Janeiro 15, 2009
Eu tenho medo do mesmo
Na minha extensa lista “Meu inferno teria…” entram certamente os filmes com o Tom Hanks. Todos eles. Tem algum termo já cunhado para fobia de Tom Hanks? Se não tem, eu deveria fazer isso. Estou quase procurando uma terapia comportamental pra poder de novo mudar de canal em paz, sem surtar quando passar sem querer por um filme com ele.
Tom Hanks tem aquela cara inútil dele que é muito covarde pra filme de guerra, pouco carismática e nada atraente para comédias românticas, de feições débeis para filmes de espionagem, investigação ou ficção científica. É por isso que funciona um pouco para interpretar deficientes mentais. Forrest Gump, o retardado do ‘Prenda-me se for capaz’ e aquele outro idiota, o Navorski, d’O Terminal. Mesmo assim tenho raiva profunda desses três personagens. São retardados do mal, despertam o que há de pior em mim.
E o Tom Hanks é monotemático, monomaníaco – não sei se é monoteta, vi ele sem camisa mas bloqueie essa imagem pra sempre, eu espero. Reclamam que o Woody Allen só faz ele mesmo em todos os filmes, muito pior o Tom Hanks que faz vários personagens presos numa mesma história. Todos os personagens do Tom Hanks estão sempre sobrevivendo. Sobrevivendo numa nave espacial, numa ilha deserta, na guerra. Sobrevivendo à máfia e bandidos perigosos, aos vizinhos macumbeiros. Sobrevivendo como criança de 30 anos, sobrevivendo com AIDS. Sobrevivendo de chapinha de Louvre. Sobrevivendo a uma cabra e à Meg Ryan.
Deve ser isso que me irrita tanto, a cara de sobrevivente do Tom Hanks. Aquela expressão besta de quem sobreviveu estampada no rosto, seja lá qual for o personagem. Sobreviveu? Comemora! Sobreviveu? Se mata! Não. Fica lá com cara de quem sobreviveu até aqui e ainda quer sobreviver muito mais. Qualquer cena com ele, de qualquer filme, em qualquer parte do filme, é assim: Que cê ta fazendo, Tom Hanks? Tô sobrevivendo. E agora, Tom Hanks? Sobrevivendo mais. E hoje? Ainda não acabei de sobreviver. Sobrevivendo muitão. Sobrevivendo à beça.
Como respeitar Tom Hanks desse jeito? Como não ter medo patológico dele? É alguém com um potencial absurdo pra estragar todos os melhores filmes do cinema. Ele, o Robin Williams e o véio-broxa do Clint Eastwood juntos podem destruir a indústria do cinema inteira em segundos. Eles são o equivalente cinematográfico do trio Bin Laden, Saddam Hussein e Fidel Castro. Muito perigo. E depois que fizer refilmagens destrutivas de todos os melhores filmes, o Tom Hanks ainda vai olhar pra você com cara de quem sobreviveu ao fim do Cinema.
Como não pensar em inferno quando imagino todos os filmes bons destruídos pra sempre e eu tendo que escolher entre ver Tom Hanks sobrevivendo numa garrafa de Fanta Uva e Tom Hanks sobrevivendo na USP Zona Leste. Ah, tem ainda Tom Hanks sobrevivendo na barriga do Jack Black.
Janeiro 12, 2009
Corta essa! E tire o seu traseiro imundo da minha frente
Chegamos ao fundo do poço do politicamente correto. Há anos convivemos com as legendas e dublagens feitas pelas tias TFP, nunca aparece um “foda-se, filho da puta” ou “cala a boca sua vadia de merda”. Fora que traduzem cranberry por oxicoco. Oxicoco não é palavrão então? Xingamento de verdade, em alto e bom som só em filme nacional. Isso é que é protecionismo.
Mas hoje tive a decepção definitiva. Acabo de ter a triste constatação que estamos chafurdados de vez e pra sempre na lama fedida do fundo do poço do politicamente correto: a Super Bonder não é mais a mesma. É morto o último bastião que sustentava a vida minimante suportável na sociedade ocidental. A fórmula atual, correta e higiênica, sem carboidratos e gordura trans, não cola nada, nem papel. Nem meus dedos.
Enfiem essa droga de colar no lixo!*
*Último parágrafo legendado por Lurdinha de Berlândia
Janeiro 7, 2009
Cada povo tem os mitos que merece
Atenção, produtores!
Um filme sobre as lendas urbanas brasileiras daria muito certo. O dia em que o bebê-diabo do ABC atacou a gangue do palhaço. Uma coisa assim meio Alien x Predador. O grande mentor das forças do mal seria, claro, o homem do saco – difícil vai ser achar um ator com elefantíase escrotal, mas sempre se pode recorrer aos efeitos especiais.
Aí chega a loira do banheiro e mata todo mundo (Sempre achei pouca hombridade os meninos da minha escola terem medo da loira do banheiro. O sonho de todo garoto não é encontrar uma loira no banheiro?). A disputa pelo controle do universo passa a ser então entre as duas maiores entidades do mal já vistas: a mãe loira do funk e o cãozinho dos teclados.
O elemento surpresa é quando aparece uma a grande criatura do bem, tipo uma besta mitológica chamada Agepê, que calça as plataformas da Carmen Miranda e tem no corpo as tatuagens da Cássia Eller, a cabeça é o Raul Seixas usando a bandana mágica do Cazuza, com a voz da Elis Regina cantando as músicas do Renato Russo. Quem pode resistir ao charme poderoso deste incrível ser que também rebola como o Ney Matogrosso o seu corpo de Ângela Rô Rô? A mãe loira do funk e o cãozinho dos teclados acabam tragicamente transformados em Sandy e Jr. na primeira fase da carreira, condenados a cantar “Abre a porta, Mariquinha” para sempre.
Janeiro 6, 2009
Algoz
No sonho desta noite eu era acusada de ter feito uma mulher abortar. A um passo da prisão eu pensava: “Uma grávida não devia estar me assaltando.”. Mas meu advogado tinha me aconselhado a não dizer esta frase. De quase nove meses e me assaltando. Eu estava em choque.
Tudo que fazia era repetir inutilmente “Eu só gritei pra ela que ia chamar a polícia.”. De novo meu advogado me mandava calar a boca e me dizia no ouvido que a frase poderia ser interpretada como difamação de menores, afinal eu insinuava que o feto quis fugir da polícia.
Eu vestia um pijama lilás e tinha maria-chiquinhas nos cabelos. A cela tinha cheiro de leite de soja. Meu advogado fazia de tudo pra me deixar inocente. Eu tinha perdido as esperanças, tudo que queria é que ele não usasse aquele terno cor de mostarda.
A grávida veio me visitar com o bebê no colo. Ela disse “É umA bebê, é menina. Uma meninona.”. Discuti com o meu advogado. Se o feto sobreviveu ao aborto então não era crime, era parto. Ele achava difícil provar que não tinha sido aborto.
Só depois é que fui perceber quem era o meu advogado. O Al Gore. Aí tudo fez sentido. É claro que o Al Gore ia querer que eu fosse acusada de aborto. Al Gore precisava promover o aquecimento global de algum jeito. Mesmo o feto tendo sobrevivido.
Dezembro 23, 2008
Paz aos homens da terceira idade
Quem explica essas animações que aparecem sem parar nos programas de TV? Tipo essas do Chico Caruso no Jornal Nacional. Quem acha aquilo lá engraçado?
Pra mim só poder véio. Véio gosta de tudo que é colorido e se mexe. Se falar que foi feito no computador então eles acham inacreditável de tão maravilhoso.
Desconfio que quando você fica velho a sua mente libera um LSD natural, daí quando você vê coisas coloridas que se mexem — tipo aquele Papai Noel de brinquedo que rebola nos shoppings — acha o maior barato. Já posso ouvir os véios do meu Brasil dizendo: “Olha só que bem pensado. Cada coisa que fazem hoje em dia!”
Eu cada vez mais tenho medo da velhice. Depois que rebatizaram a terceira e finalmente última idade de melhor idade, tenho pra mim que não vou ter paz quando chegar lá.
Vou querer passar os dias em casa fazendo crochê e cochilando sentada na frente da Sessão da Tarde mas meus filhos vão me obrigar a ir pro SESC, fazer hidroginástica. Se eu quiser ficar em casa jogando paciência e suspirando pelos anos que não voltam mais, não vou poder, porque vou ganhar dos meus netos passagem para um cruzeiro marítimo da saudade. “Mas eu prefiro ir pra Caldas Novas.” “Não, vó, lá só tem velho. Vai pra Angra.” Que Angra, o cazzo! Quero finalmente ficar em casa pra sempre, sem dentadura.
Essa gente que passa a vida enchendo o saco dos véios, falando que véio tem que ser ativo, tem que ser um luxo. Daqui a pouco velho não vai poder nem mais gemer pra sentar, nem falar aqueles palavrões cabeludos pra família, muito menos soltar traque em público. Afinal, esses senhores têm que preservar o glamour da melhor idade.
E os verdadeiros prazeres da velhice? Deixem os véios bolinar a empregada com a bengala e cuspir no chão em paz, minha gente.
Dezembro 20, 2008
Livros da Pérsia
E cada vez mais os títulos dos livros se parecem com filmes iranianos.
Depois de ver por semanas a mesma seleção de nomes tocantes em todas as livrarias, criei a minha própria série pra desbancar O Caçador de Pipa, O Livreiro de Cabul e A menina que roubava livros:
O enxugador de gelo
O catador de putas
O encantador de travecos
O prestidigitador que comia cebolas
O frentista de cueca amarela
As virgens que subiam no muro
O torturador que usava bigode
O neurocirurgião que roia as unhas
Setembro 2, 2008
Prece do dia: Senhor, fazei de mim instrumento de vossa APAE
Há muito tempo ouço reclamações sobre a falta de emprego no país para os graduados imediatos do terceiro grau. Tem até aquela velha lenda dos engenheiros desempregados que sobrevivem vendendo cachorro-quente — ou seriam advogados desempregados que entram pro tráfico de órgãos?Bom, o fato é que cada vez que eu vejo na TV o depoimento de um “profissional graduado”, um “especialista” — perdoem as aspas, juro que o uso foi “extremamente” necessário — eu fico com a certeza de que a lenda é fato. Os engenheiros, economistas, advogados, médicos, administradores e principalmente os “jornalistas” devem mesmo estar por aí varrendo calçadas, cortando árvores, arrumando liquidificadores e vendendo e comprando ouro. Eles trocaram de lugar com os verdadeiros camelôs, chapeiros, garis, torneiros-mecânicos e homens-sanduíche, que assumiram o controle do nosso tráfego aéreo, o planejamento da construção de metrôs, estão fazendo cirurgias plásticas, redigindo nossas leis e construindo um plano econômico. Só isso explica o amadorismo do Brasil.
Só isso explica o chapeiro da lanchonete da esquina que não desiste de queimar o meu hambúrguer, toda vez. Ele comenta com muita propriedade as notícias do dia e tem um anel de bacharel no dedo mindinho, mas do ponto da carne ele não entende nada.
Também reconheci outro dia no rádio a inconfundível voz do moço que há dois meses atrás era frentista do posto de Pirituba. Estava discutindo sobre biocombustível com autoridades norte-americanas. Ele acha válido.
Então isso que é globalização? Qualquer pessoa pode fazer qualquer coisa? Imaginem quando chegar a inclusão social então.
Não quero estar aqui para ver minha mãe, que é uma singela dona de casa, deixar as compras de supermercado sem guardar porque tem que sair correndo para dar explicações sobre o novo acidente aéreo. Nem minha empregada largando a louça e sair enxugando as mão no avental atrasada para o tribunal onde tem que decidir o destino de Champinha. As duas são muito competentes pra isso. Sejam ecologicamente corretos e convoquem o meu cachorro. Ele saberá melhor o que fazer com Champinha. E de quebra vai salvar o mundo do aquecimento global.
Julho 2, 2008
Conduzindo Miss Migraine
O que aconteceu com os motoristas de táxis profissionais? Fugiram todos pra Suíça com o dinheiro do Maluf? Porque eu nunca mais achei um motorista dos bons, e olha que eu nem estou falando de dirigir bem. Meu critério só se refere à gentileza. E não precisa ser lato sensu, só ter a gentileza de não falar comigo sobre o caminho. Todo táxi é a mesma coisa, tem sempre um motorista que fala sobre o caminho durante todo o caminho. Pra mim isso é motivo para perder o brevê de taxista. Onde já se viu tamanha indelicadeza com o passageiro? Nem estamos em Londres.
Quero poder entrar no carro e dizer o meu destino, o taxista se vire pra chegar lá o mais rápido possível e por um percurso honesto, é só o que peço. Não quero ouvir coisas como Prefere pela Santo Amaro ou pegamos a Novo Mundo? Se for pra escolher caminhos prefiro eu dirigir. Não dirigir é não ter que pensar em caminhos.
Se você é motorista de táxi e está me lendo, da próxima vez que eu entrar no seu carro não converse comigo sobre itinerários, eu imploro. Até te dou uma gorjeta boa. Se tiver muita necessidade de falar comigo, me conte sobre como sua mulher é ruim com você, fale sobre o Curíntchia, seu neto inteligente que aprendeu a andar quando só tinha dois anos, me conte com detalhes todas as suas doenças. Mas nunca, em hipótese alguma, fale sobre caminhos. Atalhos e ruas secretas não me interessam. Não me chateie a esse ponto, nós não estamos na República Tcheca e você não tem o direito de fazer isso.
Não respeitam nem mais livro aberto ou fone de ouvido. Tenho a impressão que se você parar um táxi depois de ter tomado três tiros na barriga e conseguir, com o resto do seu último fôlego, sussurrar pra ele te deixar no hospital mais próximo, ainda assim o motorista vai discutir com você que o Emílio Ribas é o mais próximo mas a Dr. Arnaldo sempre tem mais trânsito, então é melhor ir para o Mandaqui.
Surdez, bomba-relógio, trabalho de parto, nada pode impedir que taxistas disucutam caminho com você. Sabe o que é, moço, estou trabalho de parto e não quero ter meu filho ao mesmo tempo em que decido se vamos pelo Largo da Batata, Pedroso de Morais ou Francisco Leitão. Não diga Peixoto Gomide na minha frente. Não, não fala Tijuco Preto na frente do meu filho!
Pra ajudar inventaram rádios especializadas em caminhos e boletins do trânsito. Paulistanos merecem morrer mesmo. Morrer nos seus Corolas presos num congestionamento causado por um Del Rey com o carburador furado e uma Kombi com o motor pegando fogo. E ouvindo um taxista gritar que a Vinte e Três está livre.
Junho 27, 2008
Manuel deu bandeira
Vou-me embora pra Pirituba
Lá sou amigo de um gay
Lá tenho a mona que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pirituba
Vou-me embora pra Pirituba
Aqui eu não dou feliz
Lá a existência é uma aventura
De tal modo indecente
Que Joana a Louca de Espanha
Rainha e quarto tenente
Vem a ser pai excelente
Da dona que eu nunca quis
E como farei plástica
Cantarei Julio Iglesias
Me montarei de salto alto
Subirei no pau-de-sebo
Tomarei porre num bar!
E quando estiver mamado
Deitado no meio fio
Vão me chamar de pau-d’água
Pra me contar as histórias
Que no tempo do alcoolismo
Vinham me bulinar
Vou-me embora pra Pirituba
Em Pirituba tem de tudo
É outra civilização
Tem processo tem seguro
Tem plano de expansão
Tem silicone aromático
Tem debilóide à vontade
Tem perucas bonitas
Para gente se montar
E quando eu estiver em riste
Mas riste de não ter jeito
Quando de noite me der
Vontade de camuflar
— Lá sou traveco de um frei —
Terei aquilo que eu quero
Na cama que escolherei
Vou-me embora pra Pirituba