Julho 2, 2008...1:31 pm

Conduzindo Miss Migraine

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O que aconteceu com os motoristas de táxis profissionais? Fugiram todos pra Suíça com o dinheiro do Maluf? Porque eu nunca mais achei um motorista dos bons, e olha que eu nem estou falando de dirigir bem. Meu critério só se refere à gentileza. E não precisa ser lato sensu, só ter a gentileza de não falar comigo sobre o caminho. Todo táxi é a mesma coisa, tem sempre um motorista que fala sobre o caminho durante todo o caminho. Pra mim isso é motivo para perder o brevê de taxista. Onde já se viu tamanha indelicadeza com o passageiro? Nem estamos em Londres.

Quero poder entrar no carro e dizer o meu destino, o taxista se vire pra chegar lá o mais rápido possível e por um percurso honesto, é só o que peço. Não quero ouvir coisas como Prefere pela Santo Amaro ou pegamos a Novo Mundo? Se for pra escolher caminhos prefiro eu dirigir. Não dirigir é não ter que pensar em caminhos.

Se você é motorista de táxi e está me lendo, da próxima vez que eu entrar no seu carro não converse comigo sobre itinerários, eu imploro. Até te dou uma gorjeta boa. Se tiver muita necessidade de falar comigo, me conte sobre como sua mulher é ruim com você, fale sobre o Curíntchia, seu neto inteligente que aprendeu a andar quando só tinha dois anos, me conte com detalhes todas as suas doenças. Mas nunca, em hipótese alguma, fale sobre caminhos. Atalhos e ruas secretas não me interessam. Não me chateie a esse ponto, nós não estamos na República Tcheca e você não tem o direito de fazer isso.

Não respeitam nem mais livro aberto ou fone de ouvido. Tenho a impressão que se você parar um táxi depois de ter tomado três tiros na barriga e conseguir, com o resto do seu último fôlego, sussurrar pra ele te deixar no hospital mais próximo, ainda assim o motorista vai discutir com você que o Emílio Ribas é o mais próximo mas a Dr. Arnaldo sempre tem mais trânsito, então é melhor ir para o Mandaqui.

Surdez, bomba-relógio, trabalho de parto, nada pode impedir que taxistas disucutam caminho com você. Sabe o que é, moço, estou trabalho de parto e não quero ter meu filho ao mesmo tempo em que decido se vamos pelo Largo da Batata, Pedroso de Morais ou Francisco Leitão. Não diga Peixoto Gomide na minha frente. Não, não fala Tijuco Preto na frente do meu filho!

Pra ajudar inventaram rádios especializadas em caminhos e boletins do trânsito. Paulistanos merecem morrer mesmo. Morrer nos seus Corolas presos num congestionamento causado por um Del Rey com o carburador furado e uma Kombi com o motor pegando fogo. E ouvindo um taxista gritar que a Vinte e Três está livre.

4 Comentários

  • Acabei de pegar um táxi assim!

  • Ok, o taxista que era assim.

  • “Não respeitam nem mais livro aberto ou fone de ouvido.”

    Ah, o povão não tá nem aí pra isso.
    O mesmo acontece em fila de banco. Experimente ler um livro em uma. Não vai dar. Vão passar por cima do livro e tentar puxar um papo.
    - E quando você pensa que o mala da fila já disse tudo o que tinha pra dizer, ele volta a conversar bem na hora em que você prega – ou tenta pregar -, de novo, os olhos no livro. É incrível.

  • Dia desses peguei um com GPS. O negócio era tão preciso que mandou o taxista parar duas quadras antes do meu destino. O motorista obedeceu, parou e mandou que eu seguisse o restante a pé…será que estão ficando metidos com a demanda da lei seca ou é pura ignorância mesmo?


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