Há muito tempo ouço reclamações sobre a falta de emprego no país para os graduados imediatos do terceiro grau. Tem até aquela velha lenda dos engenheiros desempregados que sobrevivem vendendo cachorro-quente — ou seriam advogados desempregados que entram pro tráfico de órgãos?Bom, o fato é que cada vez que eu vejo na TV o depoimento de um “profissional graduado”, um “especialista” — perdoem as aspas, juro que o uso foi “extremamente” necessário — eu fico com a certeza de que a lenda é fato. Os engenheiros, economistas, advogados, médicos, administradores e principalmente os “jornalistas” devem mesmo estar por aí varrendo calçadas, cortando árvores, arrumando liquidificadores e vendendo e comprando ouro. Eles trocaram de lugar com os verdadeiros camelôs, chapeiros, garis, torneiros-mecânicos e homens-sanduíche, que assumiram o controle do nosso tráfego aéreo, o planejamento da construção de metrôs, estão fazendo cirurgias plásticas, redigindo nossas leis e construindo um plano econômico. Só isso explica o amadorismo do Brasil.
Só isso explica o chapeiro da lanchonete da esquina que não desiste de queimar o meu hambúrguer, toda vez. Ele comenta com muita propriedade as notícias do dia e tem um anel de bacharel no dedo mindinho, mas do ponto da carne ele não entende nada.
Também reconheci outro dia no rádio a inconfundível voz do moço que há dois meses atrás era frentista do posto de Pirituba. Estava discutindo sobre biocombustível com autoridades norte-americanas. Ele acha válido.
Então isso que é globalização? Qualquer pessoa pode fazer qualquer coisa? Imaginem quando chegar a inclusão social então.
Não quero estar aqui para ver minha mãe, que é uma singela dona de casa, deixar as compras de supermercado sem guardar porque tem que sair correndo para dar explicações sobre o novo acidente aéreo. Nem minha empregada largando a louça e sair enxugando as mão no avental atrasada para o tribunal onde tem que decidir o destino de Champinha. As duas são muito competentes pra isso. Sejam ecologicamente corretos e convoquem o meu cachorro. Ele saberá melhor o que fazer com Champinha. E de quebra vai salvar o mundo do aquecimento global.
1 Comentário
Novembro 4, 2008 às 7:37 am
Ceeerto. Recado dado, hein! Estamos pedalando na nossa barra-forte destino Pirituba e alternando polegar e V de vitória pra vc, campeã. Tingir o cabelo e achar que contribui, Freudendo com a vida dos outros pq tem um diplomeco-de-telefone-sem-fio dos Écrits…aí é legítimo. ”Blogar” essas pelotas de catarse mal-ruminadas não é amadorismo… é ativismo/grassroots-gonzo-jornalismo, entendemos certinho? Aí é curtição né, tchurma?
Não é. Vc é uma desesperada. Deve mais é rezar pro chapeiro te tacar na mesa de lipoescultura. O cheiro de bacon que vai convocar seu cachorro. Bestalhona.