Na minha extensa lista “Meu inferno teria…” entram certamente os filmes com o Tom Hanks. Todos eles. Tem algum termo já cunhado para fobia de Tom Hanks? Se não tem, eu deveria fazer isso. Estou quase procurando uma terapia comportamental pra poder de novo mudar de canal em paz, sem surtar quando passar sem querer por um filme com ele.
Tom Hanks tem aquela cara inútil dele que é muito covarde pra filme de guerra, pouco carismática e nada atraente para comédias românticas, de feições débeis para filmes de espionagem, investigação ou ficção científica. É por isso que funciona um pouco para interpretar deficientes mentais. Forrest Gump, o retardado do ‘Prenda-me se for capaz’ e aquele outro idiota, o Navorski, d’O Terminal. Mesmo assim tenho raiva profunda desses três personagens. São retardados do mal, despertam o que há de pior em mim.
E o Tom Hanks é monotemático, monomaníaco – não sei se é monoteta, vi ele sem camisa mas bloqueie essa imagem pra sempre, eu espero. Reclamam que o Woody Allen só faz ele mesmo em todos os filmes, muito pior o Tom Hanks que faz vários personagens presos numa mesma história. Todos os personagens do Tom Hanks estão sempre sobrevivendo. Sobrevivendo numa nave espacial, numa ilha deserta, na guerra. Sobrevivendo à máfia e bandidos perigosos, aos vizinhos macumbeiros. Sobrevivendo como criança de 30 anos, sobrevivendo com AIDS. Sobrevivendo de chapinha de Louvre. Sobrevivendo a uma cabra e à Meg Ryan.
Deve ser isso que me irrita tanto, a cara de sobrevivente do Tom Hanks. Aquela expressão besta de quem sobreviveu estampada no rosto, seja lá qual for o personagem. Sobreviveu? Comemora! Sobreviveu? Se mata! Não. Fica lá com cara de quem sobreviveu até aqui e ainda quer sobreviver muito mais. Qualquer cena com ele, de qualquer filme, em qualquer parte do filme, é assim: Que cê ta fazendo, Tom Hanks? Tô sobrevivendo. E agora, Tom Hanks? Sobrevivendo mais. E hoje? Ainda não acabei de sobreviver. Sobrevivendo muitão. Sobrevivendo à beça.
Como respeitar Tom Hanks desse jeito? Como não ter medo patológico dele? É alguém com um potencial absurdo pra estragar todos os melhores filmes do cinema. Ele, o Robin Williams e o véio-broxa do Clint Eastwood juntos podem destruir a indústria do cinema inteira em segundos. Eles são o equivalente cinematográfico do trio Bin Laden, Saddam Hussein e Fidel Castro. Muito perigo. E depois que fizer refilmagens destrutivas de todos os melhores filmes, o Tom Hanks ainda vai olhar pra você com cara de quem sobreviveu ao fim do Cinema.
Como não pensar em inferno quando imagino todos os filmes bons destruídos pra sempre e eu tendo que escolher entre ver Tom Hanks sobrevivendo numa garrafa de Fanta Uva e Tom Hanks sobrevivendo na USP Zona Leste. Ah, tem ainda Tom Hanks sobrevivendo na barriga do Jack Black.
6 Comentários
Janeiro 23, 2009 às 1:58 pm
Tom Hanks tem postura… postura débil. Póstumo. Fraco. Mórbido. Não é eloquente, nem grandiloquente. Não se posta frente às telas, é apenas figura inerte. Não tenho a Hanksofobia Aguda, mas ainda há espaço hollywoodiano para atingir tal nível.
Parabéns pelo texto e pela opinião!
Fevereiro 5, 2009 às 1:16 pm
Hahahaha! Pode crer, nunca tinha parado pra pensar, ainda mais pra pensar no que me incomoda no Tom Hanks, mas pode ser isso mesmo, é um saco gente que só sobrevive… AMEI a crônica. Bjs!
Fevereiro 5, 2009 às 6:12 pm
O que eu não gosto em Tom Hanks é a predisposição para filmes mitológicos. Ou folclóricos, até.
E o pessoal daqui percebe isso. E nomeia “Náufrago” um filme que não tem naufrágio; ou “Quero Ser Grande” quando o protagonista deseja ser adulto, simplesmente.
Mas a cara dele irrita, concordo.
Fevereiro 15, 2009 às 5:02 pm
Não fale do Clint Eastwood. Grato.
Maio 19, 2009 às 5:13 pm
[...] dia vi na TV uma entrevista do Tom Hanks sobre o filme Anjos e demônios. Ele está ficando cada vez mais com aquela cara de righteous [...]
Julho 19, 2009 às 4:14 am
Muito bom! Só não concordo com a sua implicância com o Clint. Tem coisas bacanas, ora. Todos aqueles filmes de bang-bang italiano. E tem aquele filme muito bonito, muito sensível (quem não se emocionou?), As Pontes de Madison Square Garden. Que delicadeza! Por incrível que pareça, até hoje eu não sei se ele comeu aquela mulher, casada com o fazendeiro.