Lost de pobre

Tom Hanks é Jairo Jack Bauer, um blogueiro do Blig que tem 24h para escapar da USP Zona Leste, a verdadeira escola do crime.
Para se salvar, Jairo Jack Bauer terá que produzir uma tese de doutorado analisando sacolas biodegradáveis com os conceitos de Foucault. Sua tese deverá ser aprovada pela banca dos Intelectuais Canibais de Peruca e sua facção mais radical, os Intelectuais Canibais de Peruca Black Power. Nosso herói do Blig também enfrentará a gangue venenosa das Garotas Protestantes de Bigode e, se fizer as mulheres entenderem a sua tese, ainda terá muito que argumentar com o mortal Esquadrão Apae de Bombeta e Moletom.
A maior arma de Bauer do Blig será a palavra. Poderá usar diagramas, fantoches e apelar para Hitler e o nazismo uma única vez.
Conseguirá nosso herói sobreviver à USP ZL?
Se sair vivo, Jairo Jack será premiado com um boneco de pelúcia gigante do Zumbi de Palmares e um CD autografado do Manu Chao. Mas não é só. Finalmente Bauer estará livre para captar recursos públicos e realizar o seu desejo de infância: a tão sonhada ONG própria.

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Eu tenho medo do mesmo

Na minha extensa lista “Meu inferno teria…” entram certamente os filmes com o Tom Hanks. Todos eles. Tem algum termo já cunhado para fobia de Tom Hanks? Se não tem, eu deveria fazer isso. Estou quase procurando uma terapia comportamental pra poder de novo mudar de canal em paz, sem surtar quando passar sem querer por um filme com ele.

Tom Hanks tem aquela cara inútil dele que é muito covarde pra filme de guerra, pouco carismática e nada atraente para comédias românticas, de feições débeis para filmes de espionagem, investigação ou ficção científica. É por isso que funciona um pouco para interpretar deficientes mentais. Forrest Gump, o retardado do ‘Prenda-me se for capaz’ e aquele outro idiota, o Navorski, d’O Terminal. Mesmo assim tenho raiva profunda desses três personagens. São retardados do mal, despertam o que há de pior em mim.

E o Tom Hanks é monotemático, monomaníaco – não sei se é monoteta, vi ele sem camisa mas bloqueie essa imagem pra sempre, eu espero. Reclamam que o Woody Allen só faz ele mesmo em todos os filmes, muito pior o Tom Hanks que faz vários personagens presos numa mesma história. Todos os personagens do Tom Hanks estão sempre sobrevivendo. Sobrevivendo numa nave espacial, numa ilha deserta, na guerra. Sobrevivendo à máfia e bandidos perigosos, aos vizinhos macumbeiros. Sobrevivendo como criança de 30 anos, sobrevivendo com AIDS. Sobrevivendo de chapinha de Louvre. Sobrevivendo a uma cabra e à Meg Ryan.

Deve ser isso que me irrita tanto, a cara de sobrevivente do Tom Hanks. Aquela expressão besta de quem sobreviveu estampada no rosto, seja lá qual for o personagem. Sobreviveu? Comemora! Sobreviveu? Se mata! Não. Fica lá com cara de quem sobreviveu até aqui e ainda quer sobreviver muito mais. Qualquer cena com ele, de qualquer filme, em qualquer parte do filme, é assim: Que cê ta fazendo, Tom Hanks? Tô sobrevivendo. E agora, Tom Hanks? Sobrevivendo mais. E hoje? Ainda não acabei de sobreviver. Sobrevivendo muitão. Sobrevivendo à beça.

Como respeitar Tom Hanks desse jeito? Como não ter medo patológico dele? É alguém com um potencial absurdo pra estragar todos os melhores filmes do cinema. Ele, o Robin Williams e o véio-broxa do Clint Eastwood juntos podem destruir a indústria do cinema inteira em segundos. Eles são o equivalente cinematográfico do trio Bin Laden, Saddam Hussein e Fidel Castro. Muito perigo. E depois que fizer refilmagens destrutivas de todos os melhores filmes, o Tom Hanks ainda vai olhar pra você com cara de quem sobreviveu ao fim do Cinema.

Como não pensar em inferno quando imagino todos os filmes bons destruídos pra sempre e eu tendo que escolher entre ver Tom Hanks sobrevivendo numa garrafa de Fanta Uva e Tom Hanks sobrevivendo na USP Zona Leste. Ah, tem ainda Tom Hanks sobrevivendo na barriga do Jack Black.

Clica aqui e tenta sobreviver pra ver se você consegue

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Corta essa! E tire o seu traseiro imundo da minha frente

Chegamos ao fundo do poço do politicamente correto. Há anos convivemos com as legendas e dublagens feitas pelas tias TFP, nunca aparece um “foda-se, filho da puta” ou “cala a boca sua vadia de merda”. Fora que traduzem cranberry por oxicoco. Oxicoco não é palavrão então? Xingamento de verdade, em alto e bom som só em filme nacional. Isso é que é protecionismo.

Mas hoje tive a decepção definitiva. Acabo de ter a triste constatação que estamos chafurdados de vez e pra sempre na lama fedida do fundo do poço do politicamente correto: a Super Bonder não é mais a mesma. É morto o último bastião que sustentava a vida minimante suportável na sociedade ocidental. A fórmula atual, correta e higiênica, sem carboidratos e gordura trans, não cola nada, nem papel. Nem meus dedos.
Enfiem essa droga de colar no lixo!*

*Último parágrafo legendado por Lurdinha de Berlândia

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Cada povo tem os mitos que merece

Atenção, produtores!
Um filme sobre as lendas urbanas brasileiras daria muito certo. O dia em que o bebê-diabo do ABC atacou a gangue do palhaço. Uma coisa assim meio Alien x Predador. O grande mentor das forças do mal seria, claro, o homem do saco – difícil vai ser achar um ator com elefantíase escrotal, mas sempre se pode recorrer aos efeitos especiais.
Aí chega a loira do banheiro e mata todo mundo (Sempre achei pouca hombridade os meninos da minha escola terem medo da loira do banheiro. O sonho de todo garoto não é encontrar uma loira no banheiro?). A disputa pelo controle do universo passa a ser então entre as duas maiores entidades do mal já vistas: a mãe loira do funk e o cãozinho dos teclados.
O elemento surpresa é quando aparece uma a grande criatura do bem, tipo uma besta mitológica chamada Agepê, que calça as plataformas da Carmen Miranda e tem no corpo as tatuagens da Cássia Eller, a cabeça é o Raul Seixas usando a bandana mágica do Cazuza, com a voz da Elis Regina cantando as músicas do Renato Russo. Quem pode resistir ao charme poderoso deste incrível ser que também rebola como o Ney Matogrosso o seu corpo de Ângela Rô Rô? A mãe loira do funk e o cãozinho dos teclados acabam tragicamente transformados em Sandy e Jr. na primeira fase da carreira, condenados a cantar “Abre a porta, Mariquinha” para sempre.

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Algoz

No sonho desta noite eu era acusada de ter feito uma mulher abortar. A um passo da prisão eu pensava: “Uma grávida não devia estar me assaltando.”. Mas meu advogado tinha me aconselhado a não dizer esta frase. De quase nove meses e me assaltando. Eu estava em choque.
Tudo que fazia era repetir inutilmente “Eu só gritei pra ela que ia chamar a polícia.”. De novo meu advogado me mandava calar a boca e me dizia no ouvido que a frase poderia ser interpretada como difamação de menores, afinal eu insinuava que o feto quis fugir da polícia.

Eu vestia um pijama lilás e tinha maria-chiquinhas nos cabelos. A cela tinha cheiro de leite de soja. Meu advogado fazia de tudo pra me deixar inocente. Eu tinha perdido as esperanças, tudo que queria é que ele não usasse aquele terno cor de mostarda.
A grávida veio me visitar com o bebê no colo. Ela disse “É umA bebê, é menina. Uma meninona.”. Discuti com o meu advogado. Se o feto sobreviveu ao aborto então não era crime, era parto. Ele achava difícil provar que não tinha sido aborto.

Só depois é que fui perceber quem era o meu advogado. O Al Gore. Aí tudo fez sentido. É claro que o Al Gore ia querer que eu fosse acusada de aborto. Al Gore precisava promover o aquecimento global de algum jeito. Mesmo o feto tendo sobrevivido.

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Paz aos homens da terceira idade

Quem explica essas animações que aparecem sem parar nos programas de TV? Tipo essas do Chico Caruso no Jornal Nacional. Quem acha aquilo lá engraçado?
Pra mim só poder véio. Véio gosta de tudo que é colorido e se mexe. Se falar que foi feito no computador então eles acham inacreditável de tão maravilhoso.
Desconfio que quando você fica velho a sua mente libera um LSD natural, daí quando você vê coisas coloridas que se mexem — tipo aquele Papai Noel de brinquedo que rebola nos shoppings — acha o maior barato. Já posso ouvir os véios do meu Brasil dizendo: “Olha só que bem pensado. Cada coisa que fazem hoje em dia!”

Eu cada vez mais tenho medo da velhice. Depois que rebatizaram a terceira e finalmente última idade de melhor idade, tenho pra mim que não vou ter paz quando chegar lá.
Vou querer passar os dias em casa fazendo crochê e cochilando sentada na frente da Sessão da Tarde mas meus filhos vão me obrigar a ir pro SESC, fazer hidroginástica. Se eu quiser ficar em casa jogando paciência e suspirando pelos anos que não voltam mais, não vou poder, porque vou ganhar dos meus netos passagem para um cruzeiro marítimo da saudade. “Mas eu prefiro ir pra Caldas Novas.” “Não, vó, lá só tem velho. Vai pra Angra.” Que Angra, o cazzo! Quero finalmente ficar em casa pra sempre, sem dentadura.
Essa gente que passa a vida enchendo o saco dos véios, falando que véio tem que ser ativo, tem que ser um luxo. Daqui a pouco velho não vai poder nem mais gemer pra sentar, nem falar aqueles palavrões cabeludos pra família, muito menos soltar traque em público. Afinal, esses senhores têm que preservar o glamour da melhor idade.
E os verdadeiros prazeres da velhice? Deixem os véios bolinar a empregada com a bengala e cuspir no chão em paz, minha gente.

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Livros da Pérsia

E cada vez mais os títulos dos livros se parecem com filmes iranianos.
Depois de ver por semanas a mesma seleção de nomes tocantes em todas as livrarias, criei a minha própria série pra desbancar O Caçador de Pipa, O Livreiro de Cabul e A menina que roubava livros:

O enxugador de gelo

O catador de putas

O encantador de travecos

O prestidigitador que comia cebolas

O frentista de cueca amarela

As virgens que subiam no muro

O torturador que usava bigode

O neurocirurgião que roia as unhas

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