Vendo voto. 6 anos de uso, bom estado, assinatura fácil.

Na última eleição ofereci meu voto para alguns conhecidos, ninguém quis comprar. Tentei o mercado negro e mesmo lá ninguém se interessou, estão tão politizados que não quiseram nem trocar por um cd pirata. Bom tempo aquele em que se podia vender o voto, não consegui nem um par de sapatos em troca do meu e ainda fui repreendida com argumentos democráticos de que o meu voto é direito, é decisão, meu voto é a minha arma. Ora, troco fácil por uma garrucha.
Não costumo ter fantasias eróticas com direito de voto e democracia, por isso acho a venda de votos um critério de escolha justo: o sujeito vota em quem pagar pelo seu voto, justíssimo. Eleitores costumam escolher seus candidatos por motivos bem mais idiotas e nada lucrativos. Votam porque o candidato torce pelo seu time de futebol, ou porque é aleijado, preto, mulher, porque pediu com jeitinho. E juram por Deus que não existe mais voto de cabresto. E eu não posso vender meu voto.
Se querem voto consciente, que exijam justificativa de voto para quem vota, não para quem não vai votar. Se o fulaninho faz questão de exercer seu direito de voto, que se explique na sua seção eleitoral, que confesse ao mesário os motivos do seu voto. Veriam que o voto é um ato obsceno, e a democracia, coitada, é tão feia que não deveria nem aparecer em público.
Se querem voto consciente, acabem com o sufrágio universal. As mulheres, por exemplo, já provaram que não sabem votar, ninguém sabe, mas mulher não sabe mais. Eu, até os meus 22 anos, votei em todo e qualquer barbudinho por causa de uma questão edípica mal resolvida -meu pai era barbudo quando eu tinha três anos de idade. A minha mãe, que não suporta perder, vota no candidato que está na frente nas pesquisas. Nós mulheres somos facilmente seduzidas, votamos no candidato bonzinho, no bonito, no coitado, escolhemos pela cor do partido. E além de não sabermos, votar é cafona, se alguém tem que praticar este ato de deselegância, que sejam os homens. Minha campanha é pela suspensão do sufrágio feminino. Nas próximas eleições quero ser impedida de votar por incapacidade de gênero, já que não posso vender meu voto.

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19 Comentários

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19 Respostas para “Vendo voto. 6 anos de uso, bom estado, assinatura fácil.

  1. Ruy

    Jura que você votou em barbudinhos até dois anos atrás? Oh, my God -Édipo mal resolvido é fogos mesmo. Imagine se eu votasse em gente bigoduda (Sarney, Olívio Dutra, Mercadante, Belchior) só por causa da minha mãe. 🙂 Beijos.

  2. Ruy, chegado num bigode gigante

    Pensando bem, eu seria capaz de votar no Belchior. Hum. Hummmmm.

  3. Jules

    Falou e disse. Votar é cafona. Ainda bem que só celebro a festa da democracia em, *ahem*, “alto nível” (só de governador pra cima…)

    (E rindo muito com o comentário bigodudo do Ruy. :D)

  4. Porfirio

    Os economistas do ‘public choice’ descobriram que políticos são “fornecedores” de benesses públicas, que concorrem pelos votos de “consumidores” cidadãos. O voto vira assim moeda política, distribuída em partes iguais pela constituição (1 para cada maior de idade) para ser negociada de tempos em tempos com os candidatos. Partindo-se desse princípio – correto a meu ver -, não dá mesmo para entender por que não permitir que os cidadãos, que já praticam escambo de voto com os políticos, negociem votos entre si e em qualquer tempo, num mercado aberto e desregulado. Nada mais justo que o pobretão votar em que lhe dá uma dentadura, se o outro candidato só tem conversa mole para distribuir. Agora, mais justo ainda deixar que o desdentado venda o seu voto, se o coronel da cidade quiser compra-lo por mais do que vale um mordedor novinho.

    Além do seu anúncio classificado, poderíamos ter também uma Bolsa de Votos de São Paulo (a BOVOSPA), com cotação diária: “o voto em SP hoje está cotado em R$ 23,00. Já no RJ, o preço da dúzia de votos vem caindo vertiginosamente e está saindo por R$ 11,50”. Poderia ainda haver um mercado futuro, em que opções de compra de votos para eleição de 2006 seriam negociadas. Melhor. Poderíamos criar um mercado internacional de votos, e exportar todos os nossos para os EUA, em troca de manufaturados. Além de ganharmos algum, ainda deixaríamos os ianques – que votam muito melhor do que nós, diga-se de passagem -, decidir quem vai suceder o nosso Efelentíssimo.

    Bjs e parabéns pelo post. Está ótimo.

  5. Se fosse assim eu teria que votar sempre no Maluf. Aos quatro anos de idade eu já sabia decor todos os “jingles” dele. Não, isso não é justo, não é justo!

  6. Muito preconceituoso de sua parte achar que só as mulheres não sabem votar.Homens e mulheres são incompetentes nas suas escolhas.Seja mais democrática, Colorina, lute pela suspensão do sufrágio universal para ambos os sexos.E viva a república platônica e seu rei-filósofo!(Peraí.Este último não é o Fernando Henrique?)

    Este negócio de amor livre também é um despropósito.Neste quesito sim, as mulheres se destacam nas escolhas estapafúrdias, baseadas não sei no quê.Vc que é psicóloga(e mulher), deve entender mais destas coisas.Depois me explique, sim?

  7. hohoho. cada dia eu gosto mais de você.

  8. DGR

    Eu voto, eu voto, eu voto no rei Davi.

  9. Sufrágio na urna dos outros é refresco.

    Duas suffragettes, por favor. Com bastante creme. Ao ponto !

  10. Mandruvá

    Eu também se pudesse venderia meu voto e meu convite vip que recebo há anos pra participar da “Festa da Democracia”, na qual não tenho direito de escolher se quero ou não participar, sou escravizada e no final ganho um pacote de bolacha água e sal e um “tic”. Isso sim é cafonice!

  11. tiezzi

    Eu também vendo meu voto. Tenho três modelos: o simples, que é bem baratinho mas pode ser que eu não entregue, o consciente, que é bem mais caro, e o declarado, no qual duas semanas antes da eleição eu passo a falar bem do candidato. Vendo inclusive para mais de um candidato na mesma zona eleitoral. Afinal, como o nome diz, é uma zona eleitoral.
    Colorina, tô com saudade de você. Beijos.

  12. É bom quando leis são criadas para que cada coisa fique no seu devido lugar, mas nesse caso sou contra, e unicamente por interesse próprio.Não quero votar. Deixar de ser mesário já me faria bem feliz!

  13. As urnas e aquele barulhinho irritante de confirmação de voto. Deve ser a transmutação do blob-blob-blob dos caldeirões do inferno.

  14. votar é um dos pouco atos democráticos, levados a sério, nessa aldeiasinha chamada Brasil. acho tudo isso um grande circo, onde o melhor palhaço é quem vai comandar a festa. a desilusão e a descrença na hora do voto, nada mais é que os aplausos do grande publico. tudo isso é soh para divertir.
    forte abraço.

  15. é tudo uma grande palhaçada com direito a vitória do palhaço mor, particularmente eu adoro esse circo todo, é a única hora que se fala e se discute de politica nesse país.
    forte abraço!

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